Dois Barcos
Eu a vi, e a partir deste instante eu me perdi. E tudo que aconteceu desde que decidi te ver foi culpa minha, e um pouco tua, mas você sequer percebeu. Eu precisava ver alguém, eu precisava conversar sobre qualquer coisa, precisava ser agredido por palavras doces de alguém que se preocupa comigo, eu queria sentir na pele como é sentir-se bem, como é sentir-se bem por ter alguém legal para conversar, nem que só por uma noite. É justo aí que você entra na estória, ao me atender, depois de eu esperar por alguns minutos alguém te chamar. Lembro bem tua roupa, não me poupo dos detalhes, eu precisava construir minha cena. Falei com palavras medidas, como se seguisse um roteiro, como se fossemos personagens para mais um conto meu. O que chegou a ser contraditório, já que eu queria sentir na pele como seria tudo isso. Para salvar ‘a cena’, você me corta pedindo para abrir mão da formalidade, dizendo que não preciso ser tão sério assim, que gosta mais de mim quando não há ações programadas. Tiro minha máscara, rasgo meu disfarce e deixo minha alma nua sair por meus olhos e pelas bobagens que eu falo. Você me diz que não preciso me desculpar por isso, que não é bobagem, e mesmo que fosse estaria se divertindo comigo. É quando fico meio tímido, quer dizer, além do meu comum. Você me oferece uma cadeira para sentar, eu aviso que não vou demorar, que só vim te ver, pois estava com saudade. Mas você insiste, pergunta se quero entrar, me recuso, não quero avançar o estágio, quero sentir cada degrau abaixo de meus pés. Invento uma desculpa bem esfarrapada para fugir, uma daquelas que você perceba, para assim você entender que eu te quero, só que prefiro ‘fazer tudo direito’. Você me acompanha até a esquina, onde irei dobrar. Olha-me nos olhos, e que olhos os teus, lindos [sem detalhes, rs], então sorri um sorriso que diz “Foi bom te ver”, e diz:
- Venha mais vezes, eu sinto tua falta, a gente mal se ver.
- [risos], Claro, virei sim outras vezes, sinto muitas saudades suas também.
- Ah, eu não posso deixar de perguntar: O que te fez vir aqui? Assim, você não é muito de sair, quer dizer, não para visitar alguém.
- [risos], Ah, senti saudades, já disse. Também estava precisando de alguém com quem me sentisse bem, e escolhi te ver.
- Nossa, que responsabilidade tu pôs em minhas mãos. [risos]. Saiba que você é muito bem vindo, sempre que precisar ‘falar com alguém que te faça sentir-se bem’ pode me procurar, pois você também me faz um bem danado.
- Fechado. Agora deixa eu ir.
- Gostei muito da surpresa. Amo você, [diz você sussurrando em meu ouvido],você sabe disso.
- Também te amo [sussurro de volta], meu bem. [risos]
- Beijos, xau.
- Tchau.
Você dá meia volta para casa, eu viro à direita e vou para casa. Tento imaginar tua cara, se você tentar entender o quão feliz eu fiquei. Sai de casa procurando alguém para me fazer sentir bem, e foi exatamente isso que encontrei em ti. Sorte dele te ter, sorte minha te ter também, claro, não da mesma forma que ele, mas de uma forma muito especial também. Foi assim, da maneira mais natural que consegui meu conto, minha felicidade, com ajuda da tua companhia. E lembrar que a gente podia ter aproveitado mais dói demais. [É, assim, sem fim e bem clichê que chega ao fim].
“Fim”.

Se este texto for o que estou pensando, envolvendo os ‘personagens’ que eu estou pensando, estou realmente feliz por toda a cena.
O que eu mais gosto em teus textos são os detalhes, você é especialista em descrever minunciosamente cada acontecimento, me leva pra dentro da cena, como alguém assistindo ao longe…
é maravilhosa a sensação, por isso você venderá milhares de livros (:
rs;
beijos Jon!
Bela históriiia,cada detalhe fortalece a vontade que o texto se prolongue.
Tão bom poder contar com alguém quando precisamos!! =D
‘eu queria sentir na pele como é sentir-se bem’
Eu tmb queria.
Tudo é muito contraditório. O sentir-se bem não estando de fato bem é contraditóirio. O sentir-se feliz com “poucas” coisas é bom. É bom, mesmo não sendo completo. O ‘ter’ alguém legal pra conversar é fundamental. Mesmo quando as relações com esse alguém não é a mais “apropriada”.
[ acho q foi meu comentário mais confuso ]
Mas, isso tudo pra dizer que o texto tá ótimo.