Ventura – II

[7:27] – Casa de Marcela. – Bom di… – tentei dizer à Lúcia. – Felipe, ainda bem que você chegou, já ia te ligar! – Me interrompe ela, ofegante. – Calma Dona Lúcia, o que foi que aconteceu? Me diz. – A Marcela meu filho, a Marcela… Ela… Ela… – O que tem a Marcela?! O que aconteceu com ela?! – A Marcela sumiu, fugiu de casa. Hoje pela manhã quando me levantei ela não estava lá no quarto dela, havia algumas roupas jogadas em cima da cama, alguns porta-retratos não estão mais lá. – diz ela descontrolada. – Fugiu?! Como assim fugiu?! A senhora não ouviu nada? E por que não me ligou antes?… Ah meu Deus, e agora?! – Eu não sei o que fazer meu filho, estou me sentindo culpada. Ela só fez isso por minha culpa, por estar brigando excessivamente com o pai dela. – Calma Lúcia, calma. A culpa não é sua, coisas assim acontecem. Cadê o pai dela? Ela deixou um bilhete, carta, alguma coisa que explicasse? – O pai dela não voltou para casa desde ontem quando saiu para o trabalho. Ela não deixou nada explicando. A única coisa que eu vi está aqui no banheiro do quarto dela, veja. – “Mãe e Felipe, amo vocês. Vou ficar bem”? O que ela quis dizer com isso? Por que ela fugiu sem dizer nada? Por que a senhora não ligou para mim assim que soube? – Eu fiquei muito abalada, meu filho, eu não sabia o que fazer. – Ok, ok! Vou ligar para as amigas delas para vê se ela passou na casa de alguma delas, ou se alguma delas a viu. [7:35] – Liguei para todas as amigas de Marcela que eu tinha o telefone, liguei para alguns amigos meus, para o colégio dela e ninguém sabe do paradeiro dela. O próximo passo será alertar a polícia do desaparecimento dela, e torcer para que nada de ruim aconteça a ela. – Sente-se, Dona Lúcia. Calma, calma, vou pegar um pouco de água para a senhora. [...] Tome, aqui está tua água. – Obrigado. – disse ela chorando. – Bom, vou lá em casa avisar por lá que a Marcela está desaparecida, caso tenha novidades por favor a senhora me liga, ok? – Tá bem, obrigado meu filho. [7:52] – Chego em casa e encontro minha mãe tomando café na cozinha com meus irmãos. – Felipe, a Marcela passou aqui mais cedo, acho que ela iria viajar, tinha uma bolsa grande nas costas. Você ainda estava deitado, perguntei se ela queria que eu te chamasse, mas ela disse que, se possível fosse, eu nem te comunicasse que ela esteve aqui. – Ela deixou algo? Disse para onde iria? Com quem iria? – Ela deixou um envelope, está sobre tua cama. [7:55] – Ao chegar no meu quarto vejo o envelope, branco, com uma caneta azul com letras tremulas. Abro-o: – Duas fotos nossas? Para que ela me deixaria isso? Nenhuma carta? Nada? Percebo, quase sem querer, que no verso de cada foto tem algo escrito. “Felipe, desculpa ter partido assim, sem te explicar o porquê, sem me despedir. Quero que você me entenda, não agüentei a pressão de meus pais brigando direto, o clima lá em casa tava muito ruim, não sei para onde vou ainda. Te amo muito, muito. Marcela.” “Ah, ajuda minha mãe, deve está sendo difícil para ela, explica a ela por mim. Te ligarei quando encontrar um lugar para dormir. Voltarei, mas não procura por mim.”

~ por jonathasiohanathan em Julho 12, 2008.

4 Respostas to “Ventura – II”

  1. Ai que texto “sei lá”…
    a pessoa fica angustiada só de ler!!

    *_*

  2. Taí.

    Esse texto mostra muitas coisas. Muitas!
    Principalmente que cada dia escreves melhor mesmo. Mais que só contar fatos, tens uma capacidade pra criação muito boa.

    gostei mesmo.

  3. Eu acompanho cada detalhe dessa história já esperando o próximo capítulo,e
    eu sei que melhores ainda virão.rs

    ‘Percebo, quase sem querer, que no verso de cada foto tem algo escrito.’
    :)

    Bju

  4. Vou ficar viciada nessa história!
    Está ótima, digna de um escritor de livros!

    (estou adorando vir aqui e ter VÁRIOS textos novos!)

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