61 Dias.
Cena #01.
O fim do espetáculo. As luzes vão se apagando lentamente, as cortinas se fecham rapidamente e gradualmente começam (como chuva) as palmas.
Cena #02.
Pra de Copacabana. O último e o primeiro dia separados por 10 segundos em LED em algum lugar da Avenida Atlântica, por (mais) um recorde de fogos de artifício e beijos emocionados e embalados a champanhe para viagem.
Cena #03.
A canção mais esperada, deixada para o final para concentrar emoções. Quatro acordes, três estrofes e um refrão. Lágrimas de quem recorda tristes momentos, sorriso e euforia de quem apenas acompanha o refrão.
Cena #04.
O outro lado da cidade. O lugar mais lindo para se admirar as luzes e neons da cidade. Longe de todo o barulho e agito, restou só uma garrafa com chá, um tela em branco, um resto de tinta vermelha e dois recipientes (cheios) de tinta preta.
Cena #05.
Luzes do televisor que ficou ligado para sentir-se menos só. Notícias dos lugares que jamais visitou, pessoas que jamais conhecera (á). O livro favorito marcado na página 213, da terceira vez que é lido. A cama um pouco mais vazia para uma vida um muito mais cheia.
Cena #06.
O telefone toca pela quarta vez sem ser atendido no apartamento vazio do 4º andar. Ela deixou um recado sob o porta retrato dizendo que o jantar ela guardou na geladeira, e que volta na segunda feira. Não se sabe se daqui a dois dias ou daqui a dois meses.
CORTA! Desliga a TV, se vira à esquerda para dormir. Chega de viver. Por hoje.
CORTA! Chega de sonhar. Por hoje.

“Lágrimas de quem recorda tristes momentos, sorriso e euforia de quem apenas acompanha o refrão.”
A cama um pouco mais vazia para uma vida um muito mais cheia.
CORTA! Desliga a TV, se vira à esquerda para dormir. Chega de viver. Por hoje.
CORTA! Chega de sonhar. Por hoje.
P_E_R_F_E_I_T_O!