Filha.

– Filha, vem cá, o pai quer te dizer algumas coisas importantes. Lembra de quando você era pequenininha e o papai te contava historinhas para dormir, e então, o papai te falava sobre as estrelas, o mar, a areia da praia e que um dia você poderia ser o que quiser? Bom, filha, você mesmo pode perceber que você não é mais a garotinha que o papai tinha que colocar pra dormir, que você agora tem sete anos, está crescendo e suas antigas roupas já não lhe cabem mais… Então filha, quem faz isso acontecer é o tempo.
– Papai, do que você ta querendo falar?
– Luisa, é que o pai agora não vai mais poder te colocar pra dormir toda noite, nem contar histórias de dragões e princesas que você gosta de ouvir. O pai encontrou um emprego em outra cidade, um emprego que o papai sempre quis.
– Não pai, o senhor não pode me deixar. Como eu vou dormir se o senhor não contar as historinhas para mim?
– A mamãe conta, filha.
– Não, não. Se o senhor for eu nunca mais quero te ver.
– Minha filha, sabe aquele vestido de fadinha, azul, da vitrine da loja do shopping, que você toda vez que vê pede pro papai comprar?
– Sei sim, sei. O senhor vai me dá, pai?
– Não filha, é que o papai quer dizer é que o novo emprego do papai é como o vestidinho de fada, algo que o papai sempre pede, até mesmo quando dorme, e é a chance do pai. O papai não vai ter outra oportunidade dessa.
– Não, pai, o senhor não vai não.
– Minha filha, o pai precisa. Ó, o pai promete que todo final de semana vem te ver e te levar para tomar o teu sorvete favorito, e te levar no playcenter. Você não tem que chorar. Além do mais, sua mãe ainda vai estar aqui, com você, o tempo todo, filha.
– Mas eu queria que você estivesse aqui na hora do almoço, pai…
– Não, Luisa, não vai dar pro papai estar aqui todo dia no almoço, mas o pai promete almoçar contigo nos domingos.
– Não, pai, não…
– Luisa, o papai tem que ir agora, vê se não chora. Olha, pega, era a boneca mais bonita da loja.
– Não quero boneca, eu quero o senhor aqui.
– No fim da semana o pai vem, deixa ele ir agora.
– Não, pai, não.
– Tchau Luisa, cuide de sua mãe.
– Mamãe, não deixa o pai ir.
– O pai tem quer ir, Alice, dá tchau pra ele. – diz a mãe.
– Tchau pai, tchau.

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