Estafa.

Eu queria um barco para bem longe. Longe mesmo. Eu não queria ver nada que me fizesse voltar a crer que existe vida lá fora. Nenhuma pessoa, nenhuma voz, nenhum pássaro, nenhum som, nenhum arranha-céu até a linha do mar com o horizonte. Só queria a minha vida, ou o que restou dela, ali, largada pelo o chão, deitada sobre qualquer concreto, coberta por qualquer jornal. Eu já tive um pássaro na mão, dois voando e os três ao mesmo tempo em seus devidos lugares. Eu já tive uma vida comum, preenchida de coisas vazias, inanimadas, sem vida. Eu já fui cheio de vícios, amor, vida, esperança, compaixão, cheio de piedade e amizade. Agora eu estou cheio de tudo isso. Eu não acredito mais em nada. Eu não consigo mais acreditar na reversão dessa situação. Eu tenho estado assim, desconfiado do mundo. Sem esperança, sem razão, com um grito preso em minha garganta e uma arma de palavras apontadas para o ouvido de alguém mais surdo que eu. Dê-me a dose letal de meu próprio veneno, deixe-me morrer sozinho, pois não arruinar a ninguém mais senão a mim. Não quero erradicar a liberdade de ninguém ser feliz.

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4 opiniões sobre “Estafa.”

  1. Incrível como seu texto se aplica a situação que EU estou vivendo.
    “Eu não acredito mais em nada. Eu não consigo mais acreditar na reversão dessa situação. Eu tenho estado assim, desconfiado do mundo. Sem esperança.”
    Exatamente assim, e eu não sei mais o que fazer.

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