nº.752

Eu vejo um homem caminhar. O vejo limpar o suor em tua testa enquanto vai sendo engolido pela noite. Um homem só, que não vê o medo em morrer. Um homem que tem o futuro em teu olhar e sonhos no teu coração. Não vá tão cedo, não ceda ao medo. Não me machuque mais. E cada vez que eu o caminhar de um certo homem eu me vejo no futuro, e descubro um mundo que não me satisfaz. Não acorde do teu sonho se não achar melhor assim, mas saiba que em você eu posso encontrar a mim. É você que eu vejo quando olho em mim.

A fuga.

E cada vez eu reconheço mais meu rosto. Como um câncer, cresce, cada dia mais. Silenciosamente. É no fim do dia que isso se torna mais perceptível. Todo dia cai no esquecimento quando durmo. Se perde, assim, do nada.

É cada mais mais perceptível que tudo que tenho falado não faz mais nenhum sentido. Acho que isso indica o quanto eu me perdi nestes últimos dias. Ou me achei. É uma possibilidade, eu acho. Ou não.

Me molde. Faça de mim o que bem entender. Me desconfigure. Me faça esquecer de mim. Me deixe órfão no fim. É sempre assim. Alguém vai saber do que se trata. Se não souber, serve de exemplo de momentos de lucidez.