– dos dias.

Ela passa a bola e a mãos nos cabelos. Enquanto diz que tudo é uma questão de tempo, ela esquece que já são quase 23h. Ela diz que o papo tá bom, que o café também, mas que eu preciso ir. Me dá um beijo expulsando e diz gostar de quando eu reclamo para ficar um pouco mais. Ri da minha cara fechada, do meu cabelo assanhado e do meu andar desaprendido. Me chama a atenção antes de eu sair pelo o portão, e manda beijos que se dissolvem no ar. Rio de canto de boca, finjo contentamento e que essa semana vai passar mais rápido. Se os carros pesados passam, porque os dias mais leves não? Eu e ela. A matemática que tanto estudo não funciona para nós dois. Juntos somos mais que 30, somos dois-em-um.

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Queda-livre.

Eu costumava acreditar nas pessoas, na vinda dos dias melhores e no milagre da reciprocidade. Eu costumava acreditar que acreditar em alguém era prova de amor, era prova de gostar, de querer por perto, de dar uma parte de mim para ela guardar. Eu costumava colocar meus segredos em vocês. Um em cada um. Sem pedir. Era um processo lento e contagiante, repleto de risos e alegrias. Nos dias mais frios até saudade se sentia. Você nem percebia que nos seus sonhos eu depositei um pedaço de mim. Nas suas escolhas um pouco de minha vontade, na sua fala tinha minhas palavras, no teu jeito minhas manias e no teu peito mais um de meus segredos. Eu costumava a acreditar que era dando que se recebe mais. E a cada vez que eu te contava sobre mim, um pouco mais de mim você bebia e eu me embriagava de teus risos. Até que um dia, como uma pedra lançada à um corpo d’água, veio a primeira onda, que ressoou, então vieram outras ondas e nossa casa foi levada por uma onda que nos encheu de tal forma de outras coisas que não sobrou mais nenhum espaço em você para mim. Então eu voltei acreditar que, quando eu digo acreditar, eu acredito mesmo. Que quando eu digo gostar, é porque minha alma precisa até à última gota. Porque quando eu digo não estar mentido, é porque eu vivo por isso. Porque quando eu digo que te espero mesmo no escuro, é porque acredito que o caminho das luzes é compensador. E quando eu disse que queria que você me ligasse, eu já estava esperando por dias.
E há uma antiga frase não se cansa de ser dita:

se algo
importa,
tudo
importa.

Pelos Velhos Tempos.

Volta aqui
me diz o que é que foi
o que te fez mudar assim?
para onde você vai agora?

Senta aqui
Me diz o que você guarda
Qual é o novo plano?
O que vai ser de nós agora?

Volta, me abraça
Canta uma canção pra mim
Canta pelos velhos tempos
Para me fazer feliz, canta

Fica aqui
E venha ouvir de mim
Em mais uma canção que eu fiz
sobre a falta que você faz

Vai
Deixa eu ser parte dos teus planos
Vem
Nada vai mudar o que somos

Vem, me abraça forte
Que esse ainda sou eu
Volta, me abraça
Que esse lugar em mim ainda é seu

Deixa eu te falar de mim
Do que te faz sorrir
Do que te faz bem
Pelos velhos tempos, vem
Pra me fazer feliz