O retorno do filho

Afasta-se de mim a força que segurava o choro, e no travesseiro apertado me esvazio de palavras mudas que escrevem a falta das suas manias e gosto, quando deitado na sala, como na fotografia em cima da tv. Desliga o rádio, conversa um pouco, compartilha uma risada para preencher essa sala. A falta que eu sinto de um filho que não tive me doe tanto quanto todas as alegrias que eu deixei de ter por não te visto nestes últimos dias, mesmo te sentindo tão perto, bem maior do que eu e ainda cabendo em mim. Mas agora eu derramo esse choro como se cantasse sua volta, anunciada com um enorme aperto do peito, retorcendo em pedaços espalhados na sala, com a nossa vida contada nas fotografias da parede da sala de estar. Esquece que o passado fica gravado nas lembranças. A vida que tive alimentando as lembranças de que, um outro dia, outra hora, você vai entrar por essa porta, ansioso por um abraço, com a camisa amassada, o cabelo assanhado pra se afundar em um choro regado no amor que corre além dessas veias. E que seja bem mais que um sonho. Tua volta, comemorada com canções não sobre o que fomos, mas sobre o que queremos ser.

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