Era só falar de amor

“É chegado o tempo de se amar, um amor feio, cheio de brigas, cheio de poréns. É tardio o tempo de se encontrar, de ser um par.
É esperado o tempo das águas mais calmas, enquanto passa lento o tempo…”

Faz algum tempo que isto tem sido meu ‘seja bem vindo’ na minha página no Orkut. Não é em vão. Nunca. Mas também não espere que eu te diga o motivo. Uma pessoa não pode enxergar por outra, mas pode ajudar abrindo os olhos, encorajando e auxiliando. Não estou tentando dizer que estou certo, muito menos que este é um pensamento certo. Não sou um revolucionário, um lunático, um profeta ou muito menos poeta. O que eu estou fazendo é só acrescentando mais uma alternativa de pensamento para quando você não tiver mais nada para fazer. Quando você quiser se perguntar “por que comigo nunca deu certo?”. Eu também não quero dizer que o meu amor é o certo. Eu nem sei se amo, eu não sei o que e como amo. Mas uma coisa eu posso afirmar: um dia eu quero sentir o que é amar de verdade. Amar não é tão dificil assim, sequer o amor está tão longe de nós. Só precisamos aprender a ler as pistas. O amor é puro, e dspensa explicações. Quando se ama você não espera ninguém conceituar o que você tem, logo se sabe, é amor. O que outros chamam de idealização de um ser perfeito, para mim é a verdadeira visão que o amor dá. De ver além dos defeitos, de relevar as qualidades. É assim, tem que ser, não vejo outra alternativa. Se até os mais feios têm alguém que os ame. Se até mesmo os mais ignorantes, anti-sociais, alegres, palhaços e mals tem a quem os ame, o amor é único. Para ser amor tem que haver o pensamento de eterno, mesmo que não venha a ser. Tem-se que pensar “eu quero ficar com você o resto de meus dias”, do contrário, não valerá a pena. Ame, na frequência ideal para os dois corações pulsarem o mesmo sentimento. Não precisa amar com caixa de bombons, flores, extensas declarações de amor ou canções, ame apenas o suficiente para ser amor. Ame apenas o suficiente para acreditar, ambos, assim: “Vamos ser felizes como der para ser”.

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Seis e dez

Ouça enquanto lê:

O amor acabou. É a única coisa que consigo pensar ao te ver assim, infeliz do lado do alguém com quem você quer passar a vida inteira. E se não é para a vida inteira, por quanto tempo será? Às vezes chego a pensar que amamos o incerto. Desvalorizamos aqueles que nos querem bem, ignoramos, deixamos de lado, assim, como um brinquedo que perde a utilidade ao sairmos da infância. O sonho ainda não acabou apenas se mascarou de ilusão. Tendemos a pensar que aquele alguém distante é sempre perfeito, e quem está do nosso lado é nosso melhor amigo, e seus sentimentos não irão te atingir, é só amizade afinal. Eu prefiro observar, por enquanto. Eu quero ver por quanto tempo o ‘lindo’ amor vai te fazer chorar. Por quanto tempo esse ‘mar-de-rosas’ vai te fazer desconfiar dele, vai te apertar ao peito com qualquer indício de perda de afeto, ou a partilha deste. Mas esse amor eterno vai durar a eternidade que são duas brigas por ciúme. Você vai desconfiar por uma falsa pista de traição, ele não vai suportar a desconfiança, e então alguém vai sugerir o inicio de um tempo. Tempo só, ou melhor, sem ter um ao outro. “Eu acho que não estou aproveitando a minha juventude”. Ela vai se perguntar, então, o que ela é pra você. Seria a volta da teoria do brinquedo sem serventia? Ele vai conhecer o gosto de uma amiga nova, ela vai chorar e pensar a noite inteira ao lembrar dele. Ambos vão sorrir no fim do dia, cada um em teu lar. Não existirá mais a união. “Seremos bons amigos agora, certo?”, alguém vai sugerir. Ela vai sorrir, dizer que sim, com esperanças de que agora dê certo, seria este um pedido de desculpas informal, pois é a ele a quem ela ama de verdade. Ele também vai sorrir, vai acreditar que ela vai ficar bem, que entendeu que não dá mais para caberem no mesmo par – engano mútuo. Três dias de ligações perdidas e de quatro noites de sono mal dormidas, ela vai perceber que ele não vai voltar. Vai ligar para um amigo a quem confia, vai te contar os detalhes, vai lhe perguntar o que fazer. Serão perguntas respondidas com outras perguntas. “O que você sente por ele?”, “Será que ainda vale à pena lutar por ele?”, “Quanto tempo mais você vai esperar por ele?”. Ela vai chorar ao telefone, vai perguntar se você pode visitá-la, ela precisa do abraço seguro de alguém. Ele, o amigo, vai, será o porto seguro, vai ouvir tudo e consolar com um “tudo vai ficar bem, você vai ver”. Por fim, o amor, que andava sumido, irá voltar aos poucos, com outra forma, em outras máscaras. Ele virá em forma de consolo, em amor próprio, na força de olhar para trás e resistir, na confiança de um ombro amigo e na fortificação de uma amizade leal. Mas novamente, irá acabar, quando ele tentar voltar, brigar por pensar que ela já encontrou outro alguém. “Você entendeu mal!”, ela dirá. Ele não vai acreditar, vai querer sair, vai querer nunca mais olhar para ela. Ela vai chorar pela segunda vez. Vai dizer “Volta”. Ele vai chorar e dizer “Eu te amo, sabia?”. Eles vão chorar, sem se abraçar, vão apenas se olhar e enxugar as lágrimas próprias. O amigo vai sair, deixá-los a sós. Agora sim, o abraço vai ser inevitável. Vai ser forte, vai ser único, vai ser daqueles que nunca esquecerão. Os lábios vão encontrar-se entre lágrimas. Risos se confundirão com choro. Será feliz. É, será feliz. Nada mais se pode dizer. O amor nunca acaba, se esconde, mas não demora logo volta.

 

Música: Switching Off por Elbow

Felipe e Marcela

Vai passar. Como tudo, a noite passa, você esquece se conseguir dormir. Acorda o sol que te acorda, mesmo fazendo o frio que te faz querer ficar entre os lençóis. A foto dela na cabeceira te toma o olhar por alguns instantes, e você olha, apenas olha sem querer pensar. Vira e rola na cama até se levantar. Vai até a janela, senta na poltrona próxima da janela. É alto ali – sétimo andar -, e olha para fora com uma xícara de café em mãos. A neblina, que embaça o sol e esconde a cidade, te encanta. Mas não há nada, nada que te faça esquecer por um instante o dia de ontem. Tudo tava tão perfeito. Ele, ela, estavam mais próximos que nunca. Ela quer cantar, ele quer ouvir, e na hora exata do refrão ele some. Ela procura, não acha, e acha que ele desistiu de tudo. Ela acha outro par, são só amigos afinal. Ele sai dali por sabe que pode ser pior, que foi difícil se aproximar assim. Ela quer alguém, ele quer se achar. Foi tudo bom, bom demais. Ele a pergunta quem é o outro alguém, ela diz que foi só insensatez, nada sério demais. Ele diz que não vai voltar mais tarde, se despede com um ‘tchau’ e um abraço ele a pede. Eles conversam por telefone, ele tem dor-de-cabeça. Ele diz que não quer sair, ela pede para ele ir, que pague para ver. Ele desiste, não vai tentar, a dor só vai aumentar, mas ele quer vê-la, ele quer sair para espairecer. Ele vai, chega, passa um tempo sem pensar em nada, depois a procura, a encontra e diz a que veio. E agora? Não foi o suficiente, foi só o sol poente que a fez agir assim. Talvez por não poder, talvez por não sentir. Ele não desiste, mas também não insiste, um dia ela vai entender.

– Olá, eu sou Felipe.

– Tudo bem? Eu sou Marcela.