Eu ia perguntar para Deus, essas noites, coisas óbvias. Perguntar a razão das coisas e não obter resposta já é uma tarefa cotidiana. Ninguém se importa. Eu não consigo esquecer, eu não quero esquecer. Eu queria te ver, foi isso que eu quis, foi isso que eu disse. Eu já quis demais, eu quis todo esse tempo, o tempo todo… eu quis. Eu falei por muitas vezes, eu pensei por muitas vezes, eu tentei por muitas vezes. Esbarrei comigo mesmo e na conjunção de meus verbos. Eu quero, eu sei, como eu sempre quis. E o que falta? Por que sobra? Por que tanta coisa? Não é humano resistir, não fomos feitos para isso. Minha mente tenta domar minha fala, meus gestos, minha própria mente. Eu queria ter coragem, deixar de lado o medo que eu cantei não ter. Depois de muito tempo, dar um passo pra trás, para voltar e escolher um outro caminho. Eu só queria que fizesse sentido, e não saudade. E  não só vontade. E não só fosse eu. Eu vou me dar mau nesse jogo, eu não sei ganhar. Eu também não sei perder. Na verdade eu sequer sei. Se eu soubesse, se eu pensasse… Talvez, tudo que eu sempre quis esteja bem ali, através de uma janela de vidro… e RGB. Talvez eu veja através dessa janela meu sonho, meu destino parado ali, e só não tenha coragem de levantar a janela e tomá-lo para mim. Talvez eu seja um pequeno pássaro acostumado com sua gaiola, e não se permite mais voar. Depende do ângulo que se olhar. Eu quero essa fotografia comigo o tempo todo, e assim será. Você vai saber, vai entender… perceber que não há mau nenhum. Se eu o quissesse só por um instante já teria o feito, só que não. Mas estou certo que só um pouco valeria mais que a vida que terei sem ti.

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Tiradentes, 752.

Um certo dia, que não faço a mínima ideia de quando foi, um carteiro veio à minha porta. Não o vi, mas vi a sombra de seus pés debaixo da porta. Da poltrona, na sala, fiquei vigiando silenciosamente seus movimentos. Em instantes, rapidamente deslizou por debaixo da porta uma correspondência. Ouvi alguns passos… Solado de borracha no piso encerado. A sombra foi ficando mais suave até desaparecer dali. Fiquei encarando aquele envelope branco, sem qualquer detalhe, parado ali no chão. Decidi por aproveitar o meu café, e deixar para o abrir depois. Entre sopros e goles de café, meu pensamento corria buscando advinhar o que haveria ali. Deitei sobre a mesa minha xícara grená com um pouco de café, e abaixei-me para apanhar o envelope. Sem remetente. Sem nada escrito. Fiquei inferindo sobre o seu conteúdo e se eu mesmo deveria ser o destinatário daquela correspondência enquanto brincava com o envelope em minhas mãos. Fiz suposições, de conteúdo e remetente, me desafiei à abri-lo. Pra minha surpresa, uma folha em branco e uma caneta se encontravam dentro do envelope. Quem mandara? Por quê mandara para mim? Uma folha em branco e uma caneta: o que deveria ser registrado ali? Um desenho? Palavras? Eu vou viver pra saber. […]

trailers.

Ela me diz as coisas que eu deveria saber mais que ninguém. Me impõe sua forma de pensar e me cativa com sua convicção. Concordar em um tópico qualquer seria quase impossível, mas há vontade de chegar cada vez mais perto e de estar cada vez mais antento ao te ouvir falar. É pulsante. Nitroglicerina e ar. Uma frase pra cortar o silêncio, um passo para chegar mais perto, um abraço pra expulsar o frio. Eu poderia ficar aqui a noite inteira, até, talvez, entender o que está guardado na profundidade do teu olhar. Como o mar, claro na superfície, escuro ao mergulhar. Escritos em forma de prosa, meio desconexos, sem açucar, sem afeto. Trailers de um futuro paralelo, guardo, espero, eu quero, não sei bem. É incerto. É adorável, é inefável. So like you.