incondicional.

Voce é socorro presente nas noites tristes. Conforta meu coração carregando-o em teus mãos. Cuida de mim como ninguém jamais faria. Traz me vida nos momentos em que viver me seria o último desejo. Toma para si a minha angústia e me dá um ânimo renovado. Em tormentas és abrigo seguro, em ti encontro proteção. Me carrega em teus braços até que eu possa caminhar com meus próprios pés. Em você eu espero, em você eu confio. Sei que não negaria atenção para mim, mesmo quando os que me amam se virarem contra mim. Me faz sorrir depois do choro, me faz dormir em teus braços e me sentir vivo outra vez.

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Estafa.

Eu queria um barco para bem longe. Longe mesmo. Eu não queria ver nada que me fizesse voltar a crer que existe vida lá fora. Nenhuma pessoa, nenhuma voz, nenhum pássaro, nenhum som, nenhum arranha-céu até a linha do mar com o horizonte. Só queria a minha vida, ou o que restou dela, ali, largada pelo o chão, deitada sobre qualquer concreto, coberta por qualquer jornal. Eu já tive um pássaro na mão, dois voando e os três ao mesmo tempo em seus devidos lugares. Eu já tive uma vida comum, preenchida de coisas vazias, inanimadas, sem vida. Eu já fui cheio de vícios, amor, vida, esperança, compaixão, cheio de piedade e amizade. Agora eu estou cheio de tudo isso. Eu não acredito mais em nada. Eu não consigo mais acreditar na reversão dessa situação. Eu tenho estado assim, desconfiado do mundo. Sem esperança, sem razão, com um grito preso em minha garganta e uma arma de palavras apontadas para o ouvido de alguém mais surdo que eu. Dê-me a dose letal de meu próprio veneno, deixe-me morrer sozinho, pois não arruinar a ninguém mais senão a mim. Não quero erradicar a liberdade de ninguém ser feliz.

folhas de pimenta

Ela tem o rosto que eu sonhei. Em teu olhar eu me encontro, perdido em teu sorriso. Eu sorrio, como se agradecesse a Deus por tudo isso. Então ela sorri também, fica envergonhada e cobre meus olhos com tuas mãos. Ela sorri, diz alguma coisa que me faz rir. Eu beijo teu rosto e me afasto. Ela sorri e me olha. Deita a cabeça em meu colo, olha para mim, sorri novamente, e vira a cabeça para assistir algo no televisor que tenha chamado tua atenção. Seus olhos brilham, movem-se lentamente. Eu fico a observar cada movimento de teu rosto. Fico esperando nascer um sorriso, ou uma expressão de espanto, depende do que a TV sugere. Então chega os reclames, eu escorrego meus dedos no rosto dela, ela sorri e me olha pelo canto do olho. Vira-se olhando para mim, agora, me abraça forte, e sorri outra vez. Ela beija meu rosto e agora senta. Encosta a cabeça no meu ombro, mesmo que a cabeça esteje voltada para a TV. Me dá um último beijo, entrelaçamos nossas mãos, enquanto a imagem vai se afastando. Longe, mais longe… é o fim da cena. É o fim do final de semana.

Dilúculo

Congelo a cena. Nada muda, não agora. É a mesma falta, a mesma dor, o mesmo penar. A falta que eu sinto esses dias me corrói como ferrugem ao ferro. Como um ácido contra a pele, que penetra, e quanto mais demora mais fundo vai.

As coisas boas, as nem tão boas assim, mas só de ser ao teu lado, de estar lá, poder te ver sorrir um pouco mais, me faz bem. É, isso me faz bem, amor. Parar em frente a TV, parecer assistir e estar pensando em ti. No que fazes nestes dias que não a vejo, neste exato momento em que eu estou a pensar em você. Será que você sorri agora? Meu bem, não se afaste assim, não de mim. Traz de volta as cores de meu dia. Traz teu brilho e alegria. Clareia minha vida, amor.

Eu sinto sua falta, amor…

ótica.

Névoa forte, neblina, invisibilidade total ou parcial do que há por vir. Aprender a conviver com a incerteza e a louvável tarefa da paciência. Se precaver e não ser pego da distração. O escuro mais profundo. Não há diferença entre manter os olhos fechados ou não. Aguçar outro sentidos. Camurflagem. Nova ótica.

Café Turvo.

Tudo novo traz consigo desconfiança. Eu não quero me acostumar com isso, eu não quero me aceitar assim. A conciência exata do que se acha ser o estado perfeito, a situação ideal, vai fazer com que você queira cada vez mais buscar isso, se aproximar disso. Toda noite eu tenho o mesmo sonho. Toda noite. E já faz algum tempo até. Eu sei o que eu quero. Eu avistei o meu estado de graça, e o vou perseguir. Das minhas fraquezas o teu sorriso se refaz para o meu consolo. Agora eu não tenho mais pressa. Agora eu não tenho mais nada, nada a perder. Eu só tenho a ganhar quando eu me mostrar capaz de te amar até o último fôlego. Talvez isso mude tudo, talvez nada mude, talvez eu nem saiba. Mas das coisas que eu não sei, o desejo de meu futuro-presente ao teu lado é minha maior certeza.