dos dias (com amor)

Por muito tempo eu amei calado. Eu vinha aqui, desbulhava meu coração e me tentava alcançar alguém que não estava em minha frequência. Já amei muitas coisas, já me apaixonei por pessoas. Me lembro de colecionar detalhes, os pôr num texto, esperar resposta, alcançar meu alvo e esperar o reflexo da onda que tinha provocado. Um dia, atravessando a Av Rio Branco no fim da tarde me dei conta que no fim de tarde, próximo às 17h16min o dia fica mais bonito, as cores mais sinceras e é parece que no movimento dos carros e na correria das pessoas é onde a calma de meus passos me parece mais sensata. Me apaixonei pelos os dias. Talvez de tanto tentar, certo dia consegui, em uma conversa incrivelmente amistosa, embora alguns anos (e textos) atrasados, colocar sobre a mesa o estado mais sincero de meu peito e me orgulhar de ter sido capaz de gostar de alguém e fazê lo em silêncio. Me lembro de tê-la impressionado, conseguindo arrancar sua surpresa ao dizer que rios de textos, uma canção e uma incrível admiração a ela pertencia. Parece que não consegui ser tão eficaz. Ainda bem. Mas tudo isso foi só para dizer que eu achava que tinha amado. Talvez.  Mas Hoje, verdadeiramente eu sei: amor é o que tenho e sinto hoje. E se não for amor, obrigado!… do jeito que aqui tá bom, não quero nem saber o que seria esse tal de amor.

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