iceberg.

Eu não sei, mas estou com a impressão que tenho um coração preso na garganta. Tenho um turbilhão de coisas estúpidas para dizer, sinto uma supernova de sentimentos que queimam a pele e externá-los é impraticável. Não há coisa pior no mundo. Não há, acredite(m) em mim. É como se queimassemos pilhas de fotografias e as histórias contidas em cada uma delas. É como se diminuíssemos à insignificância toda uma história de risos. Diria também que é como se depois te tanto prometer, o amor virasse a menor de todas as coisas. Tudo é motivo, nenhuma alternativa é aceitada, todas as vias são inviáveis. O amor vira uma caixinha de pipoca que, depois de guardar o bom, no final se joga fora. Eu sempre achei que o amor estivesse acima de tudo e continuo com o mesmo pensamento. Nada nessa vida está acima do amor. Eu lembro que eu já falei que o amor tudo suporta, tudo perdoa, tudo supera. Que somente o amor vai trazer para o céu um novo dia, vai fazer o novo nas cinzas, e fazer sorrir a quem só sofria. Amar não é suficiente. Está claro agora. Eu aceito que jurar não será grande coisa, mas eu continuo achando que não será tão fácil assim. A música “fix you” do coldplay martela o tempo todo da cabeça, como se tocasse uma parte só: “when you love someone but it goes to waste”. Então, junto com as fotografias e momentos vão juntos os sentidos das canções. Sei bem que quando a fundação de uma edificação está comprometida, toda a estrutura estará. Eu sei bem. O pior é isso, eu sei bem.

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elementos finitos.

Subdividir. Analisar as partes. Resolver por partes. Extrapolar. Fazemos isso quando é complexo, quando é pesado demais. Acordes viram riffs, uma música inteira em três estrofes e um refrão, um capítulo de um livro inteiro por dia, um dia de cada vez em uma semana, muitas conversas de uma mesma briga, muitos passos de uma mesma caminhada. Dividimos para ficar mais fácil, aguentar um pouco mais, adiar o inevitável, para sofrer um pouco menos talvez… Por que não? Essa é a pergunta que deveria substituir outro simples ‘por que?’. Eu tenho vindo pouco aqui porque não tenho tempo mais para mim. Esqueci de subdividir meu tempo. Eu me dividi tanto com outras pessoas e partes de minha vida que acabou faltando um pouco de mim para mim. Estou juntando por aí pedaços de mim depositados em estrofes, projetos e pessoas. Andando em linha reta aproveitamos menos o caminho. Eu penso nisso esses dias. Só nisso.