Os dias não passam, as horas voam, e eu só sinto isso quando ela diz ‘já está na hora’. O café esfria, e as vezes até chove no fim da tarde, pela noite só o frio. Quando eu paro pra pensar no que ainda me resta pra fazer, aparece algo que não me deixa pensar. Eu estou precisando de um tempo para dar um tempo. As idéias viram só cartazes espalhados no meio da avenida. A garoa, na garupa do clima que, esses dias, também não tem estado tão bem assim. Por fim, eu espero o fim da vida do meio do ano. Eu quero uma pausa na vida para perseguir um sonho.
Assim, sem pressa, como quando ela fica aqui, tão perto.

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Eu queria poder dizer
As palavras certas pra você
Palavras que te fariam rir
Que te deixariam mais feliz

Eu queria poder te dar
Todas as flores pra te enfeitar
Todos os mares pra você navegar
E todas as estrelas do céu

Vão sorrir pra ti
Vão brilhar só pra você
Elas vão se render ao teu encanto
E vão calar só pra ouvir tua voz

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Vou me afastar do mundo
Me desligar
Fazer parar o tempo
Desconectar

Eu vou chegar mais perto
Eu vou ficar aqui
Fazer dos teus braços meu ninho
E um motivo pra sorrir

Vou me afogar no teu rio
Vou perder a direção
Vou romper com o tempo
Reatar com o coração

Vou esperar a noite toda
Vou ficar a vida inteira
Pra poder te ver aí, pra poder te ter aqui

Vou me afastar do mundo
Eu vou ficar aqui
Fazer parar o tempo
Ter um motivo pra sorrir

Vou me afogar no teu rio
Me desligar
Fazer dos teus braços meu ninho
Desconectar

Vou esperar a noite inteira
Vou perder a direção
Reatar com a alegria
E viver nossa estação

Acho que ficou faltando eu falar. A questão não foi falta de tempo, não foi falta de oportunidade, não foi à falta de um abraço, não foi a falta de um sorriso, não foi a falta de alguma palavra alegre, ou de um momento inteiro, acho que eu só nunca soube o que dizer.

Eu posso ser muito estranho, ou nem tanto assim, mas hoje eu vejo que eu sou mais parecido com cada um de vocês mais do que eu pareço com meus pais. Hoje eu posso dizer que eu consegui juntar um pouco do que é cada um de vocês e pôr em mim. A alegria, diversão e a auto-estima de Micarla eu faço questão de compartilhar; a fé, a insistência no cuidado, e o humor de Miquéias eu quero ter; a determinação, carisma e ‘humanização’ de Alice; o perfeccionismo, dedicação e cuidado de Gisla; a amizade e competência de Samuel. De cada um de vocês eu roubei um pouco pra trazer comigo.

Acho, sinceramente, que seria mais fácil eu adivinhar e ganhar sozinho na loto (e hoje ser mais um amigo rico de Miquéias) do que arriscar que eu iria me envolver de tal forma com vocês. Certo, eu já conhecia Miquéias, mas acho que o máximo que eu havia falado com ele foi “Tudo bom?”; “Ah, mas você também já conhecia Alice…”. Certo, mas nem tanto quanto eu vim conhecer depois. Eu já conhecia Miquéias, Alice, já havia jogado com Guilherme lá no SENAI à tarde, já havia jogado com Maycon em outro lugar, já havia estudado com Bruno, ido pra Tibau com e João Paulo… Mas mesmo assim eu me senti um ‘estanho no ninho’ quando eu cheguei ao SENAI pela manhã. Lembro-me de conversar com Gisla antes mesmo de entrar, dizendo que não ia ter graça eu entrar numa turma onde eu já ia conhecer metade da mesma, não ia ter aquela sensação de ‘turma nova’.

Não demorou muito tempo pra aquela turma nova virar A TURMA. Nunca imaginei que eu fosse encontrar cinco pessoas tão iguais nas diferenças e que se completassem assim. Nunca fui capaz de acreditar que pudessem nascer amizades verdadeiras e leais em escolas, faculdades ou em ‘Senais’ da vida. Não é segredo pra ninguém que eu me assustei com vocês e a maneira que vocês se tratavam. “Isso é muito estranho”, perguntar como o outro está e se preocupar realmente com isso, os abraços e outros tipos de carinhos constantes, a alegria. Sei lá, era um troço muito estranho.

Eu não poderia imaginar que um dia eu fosse ser um desses ‘loucos’ e participar de uma rodinha na entrada do SENAI, com as cabeças encostadas e o tênis sujo de Miquéias. Eu nunca pensei em ser um desses ‘loucos’ e ir ‘achar que eu sou engraçado’. E você Miquéias, você acha que você é engraçado? Então sente aqui: i . Eu nunca pensei que eu fosse ver Micarla ‘arrasar’, nem ver Alice germinar pro balé feito uma sementinha, ou ver Samuel se dobrar inteiro em origamis, em ver o melhor plano de marketing de Gisla, seu sorriso, e nunca pensei em ver Miquéias passar numa prova tão difícil quanto é me agüentar.

Eu nunca pensei que aquele cara ‘frio’ fosse se tornar um amigo insubstituível como Samuel se tornou. Ou que esse mesmo cara fosse se preocupar com o que eu tenho passado e sentido, e em falar com tanta empolgação da tua faculdade e da tua vontade de crescer, em falar coisas sobre ele que eu pensei que ele jamais fosse capaz de contar para si próprio. A você, Samuel, eu devo agradecer a companhia na internet, a ‘assessoria’ com as músicas e a mini-electra.

Eu nunca pensei que eu fosse gostar de uma emo o quanto eu gosto de você, Mica. Eu nunca pensei que alguém tão meiga pudesse ser tão dura o quanto você é quando necessário, e suportar e superar todos os problemas que te aparecem, a vontade e amor por teu namorado, que deveria agradecer o resto da vida pela pessoa que Deus entregou em suas mãos. Você merece ser amada, Micarla, você merece ter sucesso, sobretudo no meio familiar.

Pois é, Alice. Acho que para você eu não posso falar muito, afinal, você é quem fala por nós. Se nós somos um time, com certeza e com aprovação de todos, você seria nossa capitã, nossa líder. E eu fosse te descrever em uma simples frase eu diria que você veste sua alma pelo lado de fora. Você é as palavras que saem da tua boca, as lágrimas que caem do teu rosto. Você é tristeza na tristeza e alegria na alegria. Você é motivação para qualquer um que te conheça, você contagia a todos. Você merece ser feliz, muito feliz, por tudo que você passou e pela grandiosidade com que você superou tudo que já lhe ocorreu. Você, mesmo achando-se frágil, achando que não é capaz, se assustando com os problemas e dificuldades, você foi guerreira e venceu porque teve fé e continuou lutando. A sua espera há alegria em lotes.

Miquéias, desculpa se o papel não é de melhor qualidade, ou se eu sujei o banco da sua XTZ. Embora eu não seja rico, e não possa ser teu amigo, eu me contento e me alegro em ser mais que isso, cara. Hoje eu posso dizer que você tem sido um irmão pra mim desde que entrei no SENAI. Desde as primeiras coisas, como me ‘introduzir’ ao grupo, de fazer de teus amigos os meus amigos também, da tua casa a minha casa, da tua vida um pedaço da minha. Obrigado por você me ouvir falar de Gisla quando nenhum dos outros saiba ainda. Obrigado pelas caronas na Suzuki, espero poder te recompensar um dia. Obrigado pela insistência em me convidar pra ir pra igreja, isso é muito importante para mim, mesmo. Obrigado também por continuar ‘insistindo’ em mim, acreditando em mim, ficando do meu lado, mesmo eu te achando ‘burrinho’, mesmo estando tudo ‘sempre bem’. Acho que algo que o que eu jamais vou poder dizer para você é que você foi desleal, a não ser se você querer se engraçar pra cima de Gisla, aí você vai ter um problema bastante grande. Que você seja minha onomatopéia, meu querido.

Tudo que importa vai além. Claro que você iria ficar por último, meu bem, mas antes eu tenho que agradecer aos outros quatro, extremamente. Pois eles me permitiram te conhecer, me incentivaram a não desistir de nós, me deram conselhos. Conhecer a você, Gisla, foi uma das grandes coisas que já me aconteceu, a maior que me aconteceu no SENAI, com toda a certeza. Sempre agradeço por ter te conhecido, por ter você por perto. A você eu tenho que agradecer a doçura que você sempre foi comigo, mesmo antes de eu entrar no SENAI, quando a gente só se falava pela internet, até mesmo estando eu ‘estranho’, estando eu triste, estando eu alegre, estando eu como estiver. Devo agradecer por estar comigo por esses dias difíceis que tenho passado, em ser paciente e presente quando eu precisava falar com alguém, ou mesmo precisando só conversar. Acho que se tudo que nos aconteceu não tivesse nos trazido até aqui, para hoje sermos namorados, eu já estaria bastante alegre só por ter te conhecido, por ter tido a oportunidade de estar do teu lado, de estar contigo. Saiba que cada simples instante que estou contigo se torna grandioso. Agradeço a Deus por ter colocado no meu caminho, para andar comigo, alguém com as suas qualidades, virtudes, pensamentos e desejos. O diploma não vai ser meu maior presente no SENAI, mas você e esses teus (nossos) amigos. A você eu desejo o melhor que alguém possa ter. Te desejo a melhor família do mundo, tanto a que você tem agora quando a que um dia você irá construir. Te desejo sucesso profissional, e quanto a isso você não vai precisar de sorte. Você é competente, inteligente, esforçada, primorosa em tudo que faz, seja num trabalho de marketing que você recebeu para fazer quando saiu do berçário ou numa caneca acolá. Você é linda, mais que isso, você é uma mulher grandiosa, como amiga, como namorada, como filha, como irmã. Seu brilho é próprio.

A todos vocês eu cobro um pouco daquilo que vocês têm o direito de me cobrar: presença.

À vocês, os irmãos mais amigos que eu conheço, uma salva de palmas.

“O melhor de viver é estar vivo. Ter irmãos, ter amigos.”
Hebert Vianna.

SEMÁFORO – A expansão do universo, o trânsito, as pessoas e as outras coisas. A alegria é um ruído, a tristeza é um grito. A alegria é como uma tela branca, e qualquer tinta, por mais clara que seja, vai se destacar. A tristeza é escura, e não há mais o que dizer.

SINÔNIMOS – Eu pensei em esquecer por alguns instantes, e até consegui, mas é impossível escapar. De alguma forma tudo que eu vejo tem um pouco de você, tudo que quero para mim tem um pouco de teus desejos, os meus sonhos nasceram dos seus sonhos. Somos termos da mesma equação, somos o plural de igual.

SMILE – Ah, a alegria existe, eu sei. Quer dizer, agora eu sei. Eu não sei onde ela mora, ou onde vive, mas sei como encontrá-la. Basta eu te encontrar, ficar perto de você. Basta eu olhar o teu olhar para eu ser preenchido com dezenas de sentimentos bons, Alegria. Alegria foi eu te encontrar, alegria é estar contigo, poder contar contigo, ser teu. Alegria é encontrar minha alegria na tua alegria, meu riso no teu riso. Alegria é poder dizer isso.

SWITCH – Nas noites que não te vejo eu deito mais cedo, que é para o tempo passar mais rápido, e ver o sol nascer e te ter mais perto. Quando você não me liga, meu pensamento se desliga do mundo e se liga em ti. On/Off e eu já nem lembro mais o último verso da nova canção, que por sinal, nem é tão nova assim. Quer dizer, não pra ti. Mas é pra ti, sim.

Mossoró, 14 de junho de 2009

Ela me pede três minutos para atender o celular, eu ofereço a vida inteira se ela quiser cuidar. A tristeza tem sido anúncios de Tv, o frio tem sido um leve arrepio. Se ela perguntar se vai chover eu pergunto o que ela vai querer.

De longe eu olho. Observo com atenção cada movimento. Um olhar, outro olhar, mais outro olhar, e assim eu vou gravando cada simples movimento. Um sorriso que nasce após um gesto simples ou o coração que acelera com uma palavra dita, e nada mais eu percebo quando estou ao seu lado. Eu só consigo te olhar, e olhar, e olhar… Parece até que o tempo pára, mesmo já sendo pouco mais que 22h, mesmo que a gente nem o sinta passar. Das fotografias que não tiramos, essa é a minha favorita, a da moldura da mesinha central da sala: Eu, você e o seu sorriso mais bonito. A sintonia, cada curto riso demonstrando alegria, a harmonia. Dessa vez parece ser algo mais que um sonho, ou não. Talvez seja um sonho, um pouco diferente, é verdade, mas com as mesma perfeição.

vivavoz

- Fala amor, o que você tem que te deiixou assim? Ou será que eu me enganei? Por onde você andou enquanto eu te procurei? O que foi que mudou? Ou seria “quem”? Quem te fez sorrir quando você chorou? Quem foi que te estendeu a mão? Quem foi que te ajudou?
Desculpa se eu me calei quando você queria a minha voz. Desculpa se eu pus meu coração ao vivo em cores e em viva-voz. Eu só quis te proteger de algo que feria a mim, eu só queria ter você sorrindo assim, pra mim.

Meu amor, aonde você for, me deixa ir contigo, que eu te faço bem. E, se vierem os maus dias, eu vou buscar de volta aqueles dias que eu te fiz feliz. 

Cada dia que passa aperta mais o nó ao redor dessa ferida. Como uma ostra ferida por um grão de areia eu tenho reverter essa dor em beleza. Calo-me e me afasto, fico mais em mim, e levo meus pensamentos para passear por aí. Você vai me perguntar por onde andei, ou o que eu venho sentindo esses dias. Talvez eu não saiba bem, talvez eu só consiga sentir. Talvez assumir seja doloroso demais, talvez eu não saiba assumir. Quanto mais eu me afasto, mais eu preciso de alguém por perto. Acho que é empatia se recolher para não ferir a quem se preza, ou, até mesmo, amor. Talvez eu esteje muito errado, talvez nem tanto assim, ou talvez nem esteja. O fato é, se a semente demora a germinar, é porque o ambiente ainda não está propício. 

Não vale a pena falar. Não mais. Ou ainda. Ou não.

- Vem cá, meu bem
- Parece que a gente não tá tão bem assim. Talvez o amor não exista mais para mim…
- Talvez eu nem saiba porquê.
- Eu sei que todo esse tempo que eu passei eu mudei pra ti, das roupas ao lugares que eu costumava ir e olha o que sobrou pra mim: A luz da televisão, o frio intenso em cima do colchão, as cartas espalhadas pelo chão. Prefiro a tua ausência à sua rejeição. Eu bem que tentei reencontrar em ti aquele alguém por quem me apaixonei, mas sabe, é difícil aceitar a solidão. Talvez vez você não saiba porque sempre que precisou eu estive ao seu lado, eu nunca fingi ser só mais um ‘apaixonado’, e, se um dia eu pedi demais, foi o teu abraço que eu pedi demais, aquele sorriso que me trazia paz. Todas aquelas coisas que eu sempre amei, a velha pessoa por quem eu me apaixonei, foi embora! [...] Na luz da televisão, no frio intenso em cima do colchão, nas cartas espalhadas pelo chão… É que eu me sustento agora.

- Ainda consigo lembrar do meu rosto antigo, agora eu sou o antigo.
- Pois é, meu amigo. Acho que estamos ficando velhos.
- Ele é covarde.
- Quem?
- O tempo. O tempo é covarde.
- Por que falas isso, meu bom?
- Ele não nos dá vida, mas nos faz perceber a mesma.
- Eu acho que ele é nosso amigo. Nos assusta com a idéia de que cada instante é único para nos fazer valorizar a vida.
- Penso que não. Quando somos jovens ele nos faz sentir o desejo de sermos quem não somos, mas quando chegamos aqui, onde estamos, ele nos faz sentir saudade de quem fomos um dia.
- E de que você sente falta? Do trabalho? Do estresse? Eu gosto muito mais agora. Não trabalho, mas tenho meu dinheirinho da aposentadoria, tenho quem faça as coisas para e por mim, tenho quem se preocupe comigo, meus filhos todos cresceram e agora são bem sucedidos, têm suas próprias famílias, tenho minha velhinha em casa… Eu acho que não podia ter vida melhor.
- É, eu sinto falta do estresse, da falta de dinheiro, das brigas em casa, da incerteza do futuro, do medo de não ser realizado profissional e pessoalmente. É isso que é a vida, essa confusão toda. Você já parou pra pensar onde estamos nós agora, Mário?
- Estamos vivendo, Baltazar, sem problemas. Não é isso o motivo de lutarmos a vida inteira? Esse sossego? A melhor idade?
- A melhor idade? Estar morrendo foi a pior coisa que me aconteceu, a morte não, mas estar morrendo sim. Eu agora me sinto inútil. Há coisas que eu queria fazer, mas meus ossos ou lucidez não me deixam mais. Eu nunca saltei de pára-quedas, nunca quebrei uma perna andando de esqueite, nunca fugi de casa para acampar com os amigos num terreno longe da cidade.
- Velho, você é louco? [risos]. Toma seu café e lê teu jornal em paz, o teu tempo de fazer isso já passou.
- Aí que tá, o tempo me deixou pra trás. O tempo veio antes de mim e continua jovem, e eu agora sou chamado de velho.
- Baltazar, você está ficando ‘gagá’? Pára com isso, amigo.
- Eu queria ter vivido mais.
- Vive agora, então. Dinheiro você tem, vontade parece que também.
- Eu não tenho mais é tempo, ele me deixou para trás mais uma vez.
- Deixa conversa, você tá novo ainda, sessenta e quatro é mesmo que ter vinte e quatro. Vai, faz o que quiser!
- Mas três meses é muito pouco para se fazer tudo isso.
- Do que você tá falando?
- Fui ao médico com a Roberta, fazer exames de rotina, e o doutor lá descobriu um tumor em meu cérebro, me deu três meses, mas que podia ser menos ou mais.
- Como assim? Você não sentia nada? Como só agora você descobriu?
- O doutor disse que ele cresceu muito rápido. Eu sentia dores de cabeça, mas achei que fossem normais, coisa da idade ou qualquer coisa menos grave.
- Isso não pode ser sério, meu amigo! Procura outros médicos, refaz os exames…
- O doutor Leonardo é o melhor, Mário, ele sabe o que faz.
- E agora? O que você pretende fazer?
- Comprar um esqueite.

- (do latim amicus; amigo, que possivelmente se derivou de amore; amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego) é uma relação afetiva, a princípio sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. Neste aspecto, pode-se dizer que uma relação entre pais e filhos, entre irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados, pode ser também uma relação de amizade, embora não necessariamente.
A amizade pode ter como origem, um instinto de sobrevivência da espécie, com a necessidade de proteger e ser protegido por outros seres. Alguns amigos se denominam “melhores amigos”. Os melhores amigos muitas vezes se conhecem mais que os próprios familiares e cônjuges, funcionando como um confidente. Para atingir esse grau de amizade, muita confiança e fidelidade são depositadas.
Muitas vezes os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. Mas também há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência.
A amizade é uma das mais comuns relações interpessoais que a maioria dos seres humanos tem na vida. Em caso de perda da amizade, sugere-se a reconciliação e o perdão. Carl Rogers diz que a amizade é “a aceitação de cada um como realmente ele é“.

 

Fonte: Wikipédia

..ela me olha. Olhos brilhantes, fixos. Ela nem percebe, mas um sorriso vai surgindo lentamente. E como eu sei? De onde estou consigo ver cada pequena parte de teu rosto. Eu poderia passar a vida inteira nesse ‘andar’, te olhando perto assim. Passar as mãos em teus cabelos, beijar teu rosto, falar ao teu ouvido, te ver sorrir. Então ela olha para o lado, a TV possivelmente chame mais atenção. Ela olha atenciosamente para a TV e me pede para calar para ela ouvir o que eles dizem. Eu fico olhando para ela enquanto ela sorri com algo engraçado dito pela atração principal. Enquanto cada som que faço é perceptível para ela que presta atenção na TV, cada movimento que ela faz me deixa um pouco mais distante do mundo. Embora o café agora esteje mais frio, ainda não é tarde para provar. Olho para nós como uma moldura, a cena final de um filme que pára enquanto você sorri. E assim, lentamente, eu me distraio. Penso em algo que depois que torno a mim nem consigo lembrar, mas quando vejo ela olha para mim. Eu sorrio, ela sorri. Beijo-a no rosto e rascunho um abraço, enquanto faço planos para o que o que nunca deixou de ser.

Ela se foi. Aquela vida se foi. Não foi só uma despedida, foram planos desfeitos, sonhos destruídos, e um vazio imensurável. Aquelas canções que cantávamos e ouvíamos juntos já não fazem mais sentido. Já não fazem pulsar aquela antiga emoção, nem nascer o prazer na tua companhia. Alguns momentos bons em fotografias, mesmo não impressas, mesmo não tiradas. Lembro que me sentia seguro ao estar sobre teu cuidado, sobre a tua voz mansa; lembro-me de esperar para te ver, e passar um pouco do teu tempo livre ao teu lado, fazendo coisas legais, ou não. O mais difícil para mim não é deixar isso de lado, é ver que podia ter sido diferente. Você fez sua escolha, eu te apoiei, e vamos ser felizes assim, sempre somos. Não vou abrir mão de te ver, não vou abrir mão de compartilhar tuas vontades e desejos. Nos sonhos acordados eu quero ser teu espectador, e na realização desses, eu quero estar na primeira fila. Você vai fazer muita falta, e já faz, mas a fraqueza que me faz não me deixa te assumir. Fica bem, e não faz barulho antes de sair. Saia de mansinho para que eu não perceba, assim pode ser mais fácil, rápido e indolor.
Parece que foi só outro sonho bom.
É, foi só um sonho bom.

Ouvi sem querer, e não faz muito tempo, enquanto estava na fila do banco, sobre os planos de alguém. Era uma linda jovem, em seus aparentes 23 anos. Ela dizia para este senhor (bastante idoso, e que conhecera ali mesmo, naquela fila) que iria se casar neste final de semana, e que estava ali para retirar um pouco do dinheiro que tinha na poupança para os últimos detalhes. Disse que estava amando este rapaz, Otávio, e que ele era o homem perfeito para ela. Ele era a personificação de um sonho bom que ela tivera aos doze anos de idade, do cabelo partido para o lado direto, de fios claros, formando-se em direito como o melhor aluno da turma. De família boa da classe média, o melhor partido da cidade. Ela lhe contou sobre os planos, a casa na capital decorada ao próprio gosto, os planos para o primeiro filho depois dos dezesseis primeiros meses, o dinheiro para ajudar a mãe no final do mês e compras no shopping com as amigas na sexta-feira depois do expediente na loja de perfumes franceses. O senhor ouvia com atenção o buquê de sonhos da jovem, sorri e não fala nada. A moça ainda continua dizendo que já escolheu seu vestido, e que será o mais bonito que alguém poderia usar, e que será o mesmo usado pela mãe dela quando a mesma se casou. Ela disse que se sente a mulher mais realizada e que convidou a todos que conhecida para a cerimônia na igreja, diz que quer que todos estejam presente no dia mais feliz da vida dela.
Assim, por algum tempo ainda vi aquela jovem falando entusiasmada de seus preparativos para o casamento para aquele senhor. Não demorou muito a fila andou, e a moça tomou um caminho diferente de mim e do senhor dentro da agência bancária. Ao chegarmos na outra fila, ficamos do lado, eu e o senhor. Seu Júlio, era o seu nome. Disse que era ex-comandante da marinha, que havia morado em Recife por muito tempo e havia decidido voltar para Natal depois que se aposentou para morar com os filhos, pois estava ficando velho. Então ele me perguntou:
- Você viu aquela jovem bonita que estava aqui, meu rapaz?
- A de blusa azul? – perguntei eu.
- Isso mesmo. Ela estava a me contar sobre seus planos, disse que iria se casar, estava tão empolgada que acho que deu para você ouvir, já que estava ao lado.
- [risos]. É, eu ouvi sim. Ela parece bastante feliz, não?
- Sim, ela estava sim, mas há um problema, meu rapaz. Eu sou vivido já, eu tenho 72 anos e nem devia estar nessa fila, estou aqui porque não quero me sentir inútil, eu quero mais é aproveitar o pouco que me resta nessa vida inútil, mas isso não vem ao caso. Meu jovem, vocês hoje em dia se apaixonam muito rápido. Acredito que essa menina não esteja amando esse rapaz, nem ele a ela, eles só se conhecem por 11 meses. Na minha época a gente passava de dois a três meses só para ter permissão a visitar a moça, e hoje vocês a beijam ou já dormem na primeira noite. O mundo anda estranho, e podem me chamar de careta. Esse respeito ou medo, o que quer que seja, que havia na nossa época era o que tornava prazeroso o romance. Você não esperaria três meses para poder apenas pegar na mão de um moça, esperaria?
- [risos] Não, não esperaria.
- Então, aí que tá. A gente, antigamente, gostava primeiro da moça e a partir daí começava a cortejá-la. Depois tinha que ir na casa dela, todo ‘engomadinho’ pedir a mão dela em namoro ao pai dela. Não era qualquer um que fazia isso não. Hoje pode parecer careta, mas preste bem atenção: todos (ou a maioria) dos casamentos que se fundaram assim permanecem até hoje. Hoje em dia ainda é comum se ver casais de velhinhos com 50 anos de casados, mas daqui pra frente vai ser raro encontrar alguém com dez anos de casado. O amor virou banal, meu filho.
- E o senhor, é casado a quanto tempo? Vejo a aliança em teu dedo…
- Eu sou viúvo, meu rapaz. A Eva faleceu faz trinta e três anos.
- E o senhor continua usando aliança, seu Júlio?
- Ora, meu filho, antes de nos casarmos eu prometi ao pai dela amá-la até o fim de meus dias, e eu sou homem para cumprir minha palavra. É disso que eu falo, meu jovem, em amor para a vida inteira. Eu já amava a Eva quando eu comecei a namorá-la e a cada dia que se passava eu tinha mais certeza que ela era a mulher que Deus tinha para ser minha. E foi, ficamos juntos por 32 anos, mas casados até hoje. Eu nunca amei ou sequer me senti atraído por outra mulher depois de Eva. Essa aliança é o símbolo de dedicação a ela, e amor até o fim de meus dias.
- Disso eu sinto inveja, desse amor duradouro de vocês. Espero que um dia eu possa encontrar alguém assim para mim.
- Meu filho, você encontrará, tenha certeza. A mulher certa para ti é aquela que te fizer sentir coisas que você jamais sentiu, e que te rouba a lucidez e te faz pensar e fazer bobagens. O amor é louco meu filho, mas você pode procurar pelo resto dos teus dias coisa melhor, e não irá encontrar. E quando você a encontrar, jovem, dedique sua vida a ela, e você será feliz a fazendo feliz, esse é o segredo. Agora eu vou ter que ir por aqui, é minha vez. Foi bom falar contigo.
- Ah, muito bom falar com o senhor também. À propóstico, meu nome é Sérgio.
- Muito prazer Sérgio, pensa no que eu disse, e que Deus a mande e que você a encontre e reconheça.
- Reconheça, como assim?
- Mais uma vez, prazer, meu jovem!

Cena #01.
O fim do espetáculo. As luzes vão se apagando lentamente, as cortinas se fecham rapidamente e gradualmente começam (como chuva) as palmas.

Cena #02.
Pra de Copacabana. O último e o primeiro dia separados por 10 segundos em LED em algum lugar da Avenida Atlântica, por (mais) um recorde de fogos de artifício e beijos emocionados e embalados a champanhe para viagem.

Cena #03.
A canção mais esperada, deixada para o final para concentrar emoções. Quatro acordes, três estrofes e um refrão. Lágrimas de quem recorda tristes momentos, sorriso e euforia de quem apenas acompanha o refrão.

Cena #04.
O outro lado da cidade. O lugar mais lindo para se admirar as luzes e neons da cidade. Longe de todo o barulho e agito, restou só uma garrafa com chá, um tela em branco, um resto de tinta vermelha e dois recipientes (cheios) de tinta preta.

Cena #05.
Luzes do televisor que ficou ligado para sentir-se menos só. Notícias dos lugares que jamais visitou, pessoas que jamais conhecera (á). O livro favorito marcado na página 213, da terceira vez que é lido. A cama um pouco mais vazia para uma vida um muito mais cheia.

Cena #06.
O telefone toca pela quarta vez sem ser atendido no apartamento vazio do 4º andar. Ela deixou um recado sob o porta retrato dizendo que o jantar ela guardou na geladeira, e que volta na segunda feira. Não se sabe se daqui a dois dias ou daqui a dois meses.

CORTA! Desliga a TV, se vira à esquerda para dormir. Chega de viver. Por hoje.

CORTA! Chega de sonhar. Por hoje.

Não é fácil, nunca foi. Acordar e de certa forma sentir o mundo diferente, o sentimento de algo que, mesmo distante, fará falta. Queria estar do teu lado e poder te confortar, dizer as palavras que você precisa ouvir, ou apenas calar e te oferecer meu ombro. Por que você não abre mão da tristeza e sorri para quem sempre quis te ver sorrindo? É doloroso, eu sei, sempre é, e eu quero estar do teu lado, te ver cuidar dessa dor, se recompor, e te ajudar nisso. Você é forte o suficiente, nós dois sabemos. Quer conversar? Me chama. Quer meu ombro? Chega mais perto. Me quer por perto? Olha para o lado.

- Olha só onde o barco quis encalhar.
- Lembra que no começo, quando a gente olhava para os lados e não via nada, chegamos a pensar que isso não iria levar a lugar nenhum?
- Acho que Deus brincou mais uma vez com nós…
- … ou a gente não seguiu bem as regras… 
- … ou seguimos demais.
- Eu pensei que fossemos mais longe.
- Eu nem quis pensar, tive medo de esperar demais e me decepcionar, optei por permitir me surpreender.
- Mas assim não é tão incerto? Como planejar a próxima remada?
- Eu não planejo, vivo cada uma. Nunca é igual, ao menos nunca foi. Cada parte da mesma água que toca os remos são diferentes a cada nova remada.
- Você mudou, sabia?
- Acho que os ventos também, erga as velas.
- Você não vai assumir isso nunca, não é?
- Eu assumo o remo e você levanta as velas, certo?

Ela disse “Vambora, meu bem”. Ela me pegou pela mão e atravessou a avenida. Ela olhou para cima. Ela me disse que queria amar um dia, e eu ofereci meu sorriso. Ela me disse que talvez, um dia, queira casar e ter dois filhos, eu ofereci meus olhos e minha casa. Ela diz que anda sem tempo, e eu tenho tempo demais pra ela. Quando ela corre para pegar o ônibus e chegar na hora certa, eu corro para aproveitar mais tempo ao teu lado. Assim, no fim, tudo que oculpa teu tempo vai chegar ao fim (talvez), e ela (talvez), fique sem nada pra oculpar teu tempo ou pra te acompanhar num jantar; então, meu bem, nessa hora eu vou estar aqui, da mesma forma, procurando outra maneira pra estar mais perto de ti.

Texto postado no Os Olhos Não Envelhecem.

Não. Eu vou te chamar no meio na noite, enquanto eu chorar. Quando eu estiver só, você ainda vai estar aqui, e disso eu sei. Pois foi você quem disse pra eu não desanimar, foi você quem me ensinou a ser quem eu sou. Porque foi você quem me amou primeiro, e não pediu nada em troca. Eu nunca vou encontrar como dizer o quanto, mas você sempre vai saber, pois eu vou te devolver o mesmo amor. Uum dia vai chegar minha hora de passar adiante, e eu vou lembrar de você, eu sei.

Ela tem as palavras que eu queria ouvir, mas as guarda a sete chaves e sorri. Ela tem tudo que eu procuro e me dá a dosagem necessária para que eu fique por perto. Ela poderia estar numa canção do George Harrison ou de Cazuza ou de Marcelo Camelo, mas é dela a canção que eu fiz. Se a beleza fosse brilho, estaria naqueles olhos verdes; se fosse o sabor estaria na doçura de teus gestos. Mas a beleza é lúdica como os sonhos, iguais aos que tenho nas noites em que eu vejo mais. Ela poderia ser meu principal desejo, mas isso ela já foi há muito tempo atrás. Ela poderia ser aquele sonho que se repete noite após noite, mas disso ela já me acordou há muito tempo. Agora ela é mais, e talvez nem saiba. Ela está a um passo para ser a diferença entre a realidade e ficção, mas esse passo eu não posso deixá-la andar sozinha.

- Então, meu bem, o que você me diz de um café no fim de tarde comigo hoje e pelas próximas canções estações do ano?

Olá. Meu nome é Serena, ou como me chamam, Senhora Serena. Tenho 44 anos, sou professora de uma escola do estado, tenho quatro filhos. Quero lhes contar uma estória, e talvez nem haja um motivo para isso. Ao dia 17 de julho eu nasci, mas a minha certidão de nascimento é do dia 22 de julho, assim, tenho dois aniversários. Meu nome foi escolhido por meu pai. Das vezes que eu o questionei sobre o meu nome ele disse que eu me chamaria Amélia, porque era o nome de sua mãe, mas a mãe havia adoecido devido problemas muito graves e ele teve medo de perdê-la, e, por ela preferir Serena, ele me registrou assim, em amor à minha mãe. Serena era o nome que minha mãe queria, ela disse que havia escolhido esse nome desde os seus 12 anos, quando pensou pela primeira vez em ter uma menina. Meu pai morreu antes de completar 67 anos de idade, devido um tumor no cérebro. Minha mãe morreu fazem duas semanas. Três semanas atrás eu descobri um câncer na mama, e no começo dessa semana o Oswaldo (até então meu esposo) saiu de casa. Próximo mês acaba o seguro-desemprego do meu filho do meio, o mais velho já casou. Os dois mais novos estão na escola, por isso recebemos ajuda de um programa do governo. Meu filho mais velho, que mora fora, me dá uma ‘mesada’ todo mês, o que tem sido nossa renda mensal, junto com o seguro-desemprego do meu outro filho e algumas trufas que eu vendo para conseguir algo mais, já que só meu salário de professora não dá para tudo. A vida não é fácil, meus filhos, mas acima de nós ainda há um Deus maior, e não vai deixar que nada falte. Quando tudo parecer perdido, Ele ainda vai estar ali, e vai nos amar incondicionalmente, e é nEle que eu me sustento, sei que nele eu posso me refugiar.

É fácil seguir ao lado de alguém quando se enxerga o caminho. Pois bem, amor, ponha em meus olhos uma venda, e eu continuarei contigo, do teu lado, seguindo no caminho que você me guiará.

… quero ficar só com você.

Eu já caminhei demais. Foram dias quentes, noites de um sono perdido, só não mais que eu. Eu só sabia que era tarde quando o sol se punha no horizonte distante, depois disso, eu ficava perdido entre o entardecer e a alvorada. Quando as horas passavam eu olhava para os lados procurando um lugar para me manter aquecido, uma chama para manter acesa meus sonhos. Um passo de cada vez e miragens a cada novo som no ouvido…

- sabe, meu bem, talvez você nem saiba, talvez você até saiba e só não saiba o quanto, mas você faz falta. Não precisa falar, nem sorrir ou se mexer, fica aqui que eu já me sinto bem.

toda cura para todo o mal.

§1 – Pare por alguns segundos, quatro são suficientes. Observe as coisas ao seu redor. O mundo não parece ser ‘redondo’ demais? Engraçado ver que olhar ao redor nos dê a falsa impressão que tudo nos rodeia, que somos o centro do mundo.

§2 – Agora, depois disso, olhe pra dentro. É engraçado ver como tão pequenos nós ainda somos grandes. Universos infinitos que cabem dentro de um metro e sessenta, setenta ou menos que isso. Somos infinitos universos microscópio-singulares de mundos diferentes, ou talvez sejamos sementes de um mesmo fruto, ou querendo gerar o mesmo fruto.

 §3 – Talvez o fim seja a piada que não teve graça, o show sem aplausos, uma discoteca de músicas melancólicas. Talvez estar morrerendo seja a pior coisa que me aconteceu, mas não morrer. Talvez o fim do amor venha no começo do banal. Que seja dada a devida importância para as coisas devidamente importantes. Um “não” em uníssono para a desistência antecipada e para a decisão não tomada. Um brado ao errar e ao reconhecimento do erro, e ao que vir depois também.

§4 – Para todas as desculpas e coisas não ditas há também respostas e justificativas não ouvidas. Só cobre aquilo que está também ao teu alcance. Ser feliz é muito mais do que sorrir, e você nem sabe ainda, querida. Amar é muito mais que estar ao lado o tempo todo, e sim estar lá sempre quando necessário.

…te quis por perto.

De tudo que eu sei pensar em dizer, a única coisa que eu sei dizer é: eu te quero tanto. Tanto assim que não dá pra medir, é tanto que torna-se clichê qualquer tentativa de descrever. Talvez pra você que lê seja algo simples, pequeno, qualquer, mas para mim, meu caro, é algo tão valioso que só sendo recíproco para ser maior. 

- O amor vai ser amor quando nada mais for, meu bem.

… Rabiscando um desenho, elaborando algum rascunho.

Eu queria saber o que se passa em sua cabeça quando você caminha assim sob a chuva, ou olhando ao sobrado de ladrilos amarelos, ou quanto atravessa a avenida balançando os cabelos. Eu queria saber o que você sente enquanto põe seus óculos escuros e vê a cidade crescer a seu redor. O que eu quero não se faz mais necessário, se você sorri, eu já esqueço tudo aquilo que eu sempre quis.

…tanto!

“Eu pensei que fosse difícil gritar pro mundo inteiro o que se sente. Eclodir sentimentos para a multidão que é ninguém, é simples, fácil, rápido e direto. Gritar, pôr em alto-falantes, pixar num muro, escrever no vapor do espelho do banheiro, te falar ao telefone, com aviões desenhando em fumaça no céu, isso é bobagem.

Pensei que falar para você, seria mais fácil. Errei, é a coisa mais difícil do mundo. Sussurar todas as verdades sobre o que eu sinto ao teu ouvido, isso sim é difícil.”

Acho que eu descobri, dentro desses dias, o meu lugar. Descobri também que mais importante é um sorriso que um anel no anelar. Descobri em tua felicidade uma razão para esquecer meus problemas, no teu abraço uma razão para ser fiel. Sentir falta do que não se viveu é recordar o futuro, alimentar sonhos, manter no bolso velhos planos. E, quando a realidade ultrapassa o sonho é porque o tempo parou quando eu te encontrei. Assim, que ao teu lado envelheçam os meus pensamentos, que você seja o berço de meus planos e que esteja em ti, sempre, a luz de meus sonhos.

- Vem cá amor.
- Fala meu bem.
- Que dia é hoje?
- dezesseis de abril, certo?
- Hoje faz um mês.
- Eu sei, ia te falar isso, mas pensei que você fosse achar bobagem.
- Bobagem? Bobagem é não falar o que não te aborrece, já dizia a canção.
- Saiba que eu sou muito feliz contigo, agradeço a cada novo dia à Deus por isso.
- Agradece sorrindo, que eu aceito te amando.

Hoje eu quero luzes, abrir as cortinas. Hoje eu quero levantar a âncora, navegar. Quero abrir as asas, e voar. Acordar com um sorriso, ou com um pensamento bom. Ou com os dois. Almoçar com os amigos no chão da sala, assistindo filmes, contando piadas ou vendo fotografias. Deliciar-se num banho de chuva como sobremesa, seguido de um café quente e estórias engraçadas da vida de cada um. Te encontrar no fim de tarde em algum lugar tranquilo, falar e ouvir como foi teu dia, ajeitar teu cabelo, me olhar nos teus óculos escuros, ver nossas mãos namorarem, sorrir só por estar ali. Serenatas, em canções e chocolate, sorvete napolitano para agradar aos dois. Voltar à noite para casa, ouvir um pouco de música deitado no sofá, pensar em nada, brincar com o filhote de cachorro, alimentar os peixes do aquário, tomar um belo banho. Convidar os amigos e você para jantar comigo e sorrir mais ao som de Coldplay.

Parece um dia perfeito, não? Ao menos no meu caderno de anotações, sim!

“Amor, quando eu saí estava chovendo, por isso fechei todas as janelas e deixei aberta apenas aquela próxima da cama. Achei que seria interessante te ver acordar com a chuva tocando teu rosto. Ah, mas se você não tiver gostado, finge que minha memória me traiu e eu a esqueci aberta. Mais que a chuva te acordando, eu queria estar aí pra te ver acordar. Te beijar o rosto, te manter em meus braços e preparar algo para você tomar no café da manhã. Sabe, cada instante que eu passo contigo é singular. Estou indo mas já espero o dia da volta. Já sinto saudades desde a hora que tive que pegar minha escova de dentes e vi  tua. Fica bem, meu bem, e espera que não demora e eu volto logo.”

Quanto tempo dura o presente? Quatro segundos? Um? Um quarto de segundo? Menos que isso? Por ser tão pequeno é que o presente torna-se eterno, uma infinidade cada vez menor de tempo. Aquele minuto que eu gravei quando eu te vi, aqueles segundos em que tudo parou num olhar, aquele segundo que se congelou em fotografia.

Se o tempo passa, talvez você passe por aqui e fique sabendo que eu fiquei feliz em te ver feliz.

Se ainda der tempo vire-se e volte atrás. Se eu podesse eu o faria, se eu podesse eu deixaria tudo isso ir. Abrir o peito e espantar daqui todos os males, rasgar a garganta em um grito de libertação, para ecoar pelos montes e vales. Se eu podesse deixar a luz do sol atravessar meu corpo e levar consigo meu espírito, eu o faria. Me libertar desse corpo que me limita, me curar das frases que me definem, destas vestes que não me cabem mais. Mas já que eu não consigo me livrar, eu o convido à vir me encontrar. Deixar pra trás toda a dor, todo o sofrimento, todo o pranto, os velhos costumes, as antigas manias, os velhos prazeres: se eu podesse eu o faria. Se eu podesse resgataria das lembranças os bons dias, a casa antiga, as folhas no chão, a sombra da mangueira, os mesmos amigos, as velhas canções, os novos refrões nas velhas melodias. Se eu podesse eu sonharia mais até este se tornar algo real. Se eu podesse eu falaria mais, do que eu sinto e/ou do que quero. Se eu puder, eu não quero me afastar, eu quero ficar mais perto. Fazer meus os teus planos, fazer seus os meus sonhos, fazer de nossa casa um lar.

Despretenção. Não prestar atenção ao atravessar a rua, não reparar em quem passa na calçada ao lado, não encarar quem vem na tua direção. Hoje eu acordei e te quis por perto, e irônicamente eu estava em distânciamento por inércia. Das coisas que eu já quis, te querer foi a que eu quis mais. É algo como olhar para o horizonte e imaginar o céu e o mar se encontrando, a união de duas grandes coisas. A vontade e o amor. Assim, o horizonte vem nos mostrar que até tudo que parece ser longe demais, ainda é perto, e uma linha tênue é o que separa e une. Se eu sorrir pra você sorrir, você pode achar que eu estou feliz. Se eu te odiar com um sorriso você vai gostar de mim, mas se eu te amar de cara fechada eu posso não ser entendido corretamente. A gente se esforça para mostrar que é sincero e que quer a eternização de um sonho, mas sem esforço a desconfiança leva tudo mar afora.

Tenho pedido forças estes dias. Tenho clamado por esperanças. Eu não encontro mais em mim forças para continuar te esperando. Eu já não consigo mais olhar para mim e acreditar que você não é um sonho. Eu queria poder olhar tua foto e de tanto olhar, de tanto pedir, queria que você podesse se materializar e me abraçar. Só por esta noite, e nada mais. Só um abraço. Só um gesto de carinho destes teus braços frios. Eu queria poder só mais uma vez tocar teus lábios, nem que por alguns poucos instantes. Eu, eu…eu… Eu não sei mais o que dizer. Tudo que se passa na minha cabeça são frases do tipo “Eu te amo”, “Eu quero estar contigo o tempo todo”, “Eu quero teu abraço”, todas as frases que sempre quis te dizer mas nunca tive coragem. Eu vou fechar as janelas, deixar os papéis sobre a cama, tomar as chaves e sair, sem saber que horas voltar. Quero só por hoje te esquecer, só por hoje, para conseguir dormir. Deus, só peço isso. Não, minto. Acima de tudo eu a peço, e me ouve ao menos esta vez. Desespero? que seja, porra! Só penso nela. Só penso em ser feliz com ela, ou melhor, seja como for, feliz ou não, eu vou amá-la de qualquer forma. 

Dos filmes que eu assisti, você é aquela cena que eu trago na cabeça e desejaria viver. É você na varanda de uma casa à beira-mar em um dia chuvoso sorrindo para mim. Das canções que eu ouço você é a parte que eu cantarolo quando estou sozinho, ao falar de um alguém ideal, de um desejado amor atemporal. Dos lugares que eu já visitei você é a paisagem ideal, o cheiro e a neblina. Nos meus sonhos, nos meus atos, nos meus planos, você é o centro, a pedra angular, a base da felicidade. Das coisas que eu nunca vivi, você é minha maior surpresa, das coisas que eu sempre quis, meu bem,  você é a única certeza.

É necessário render-se, dedicar-se ao máximo. Assim como uma mãe cuida do teu filho, ele precisa ser cuidado. Da fidelidade a felicidade, do extase da alegria ao desanimo da tristeza. O amor vai ser amor o tempo inteiro.
Amar é vencer limites. Os limites do tempo, do espaço, da percepção. Amar é estar por perto o tempo todo, da maneira que der. Amar não é necessariamente agir, é recuar também. O amor é o que sustenta, o amor é o que mantém. O amar é está disposto a abrir mão da própria felicidade pelo o sorriso do outro alguém.

Lunara, todas as noites, sobe ao telhado para vê as estrelas. Fica ali, as observa em seu telescópio. Ela as ama, e sabe tudo sobre elas. 16 de fevereiro é teu aniversário, e ela lembra de todos os presentes que havia dado aos seus amigos nos aniversários deles. Ao Pablo ela deu aquele exemplar de quadrinhos que faltava para a coleção dele; ao Júlio ela deu o tênis que ele paquerava quando caminhava no shopping; à Ana Clara ela deu uma foto autografada do cantor favorito delas, que ela, Lunara, havia ganho no show que elas se conheceram. À todos ela fazia questão de os presentear com aquilo que eles mais queriam, ou que mais admiravam. Mais tarde, pela noite, quando todos estavam deixando sua casa após sua singela festa de aniversário, Lunara deixou de lado todos os presentes e subiu ao telhado. Na verdade, todos os presentes que a Lunara havia ganhado não fariam o menor sentido para ela, se ela não ganhasse a estrela que ela tanto queria. Por fim, Lunara entristeceu-se por perceber que não faria sentido se ela tivesse tudo que tinha se tudo que ela sempre quis estaria ali, todas as noites, mas Lunara jamais poderia as ter do teu lado.

Cada vez que eu vou sem rumo, pretendendo me perder, procurando me achar, eu retorno sempre ao mesmo ponto. Podem mudar os dias (e até mudam), podem mudar as estações de chuva (e isso é bem confuso), mas as coisas sempre se repetem. As mesmas falas, as mesmas confusões, as (sempre) poucas certezas, a monotonia, o complexo apego-desapego, a esperança, a desistência, a insistência, os sonhos, as mentiras e as não verdades. O tempo não muda as pessoas, mas as pessoas mudam com o tempo. Talvez aí, nesse “tempo”, é que eu perceba e até ache normal esse “mudar”. Ora, se até o tempo (clima) anda confuso esses dias, quem somos nós para esperar certezas? Eu não consigo demonstrar tudo que sinto, e o dizer é o mais próximo que eu consigo chegar do fazer.

Talvez amanhã, semana que vem ou até hoje ainda. Naquela mesma hora o sol vai estar perto no horizonte, o vento vai cantar quanto atrevessar os galhos das árvores mais distantes, e eu vou estar aqui, outra vez. Não sei se agora é o tempo certo, mas eu sei que fugir também não é tão certo assim.

Por enquanto é isso, depois de amanhã eu nem sei mais.

Para fazer mais sentido.

Tchau amor. Fecha a porta por dentro que eu estou deixando as chaves aqui. Chegou um momento que não é mais suficiente todas as flores que eu quis te entregar, todos os sonhos que eu sonhei para te encontrar, nem todos os caminhos que pecorri para te encontrar. Eu vou de malas e sonhos atrás das palavras perfeitas para te agradar. Pois se eu não posso te agradar com o melhor que eu tenho, isso não faz sentido para mim.

… e o blog continua fechado.

Para aqueles que não entenderam:

BLOG FECHADO POR TEMPO INDETERMINADO!

Você não pode planejar o futuro pensando no passado.fechado1

É melhor nem pensar, melhor nem tentar entender. Melhor nem eu ser se for pra ser assim.